deu a Senhora Lysa de seu trono menor, ao seu
lado. Vestia-se toda de azul e estava empoada e perfumada
para os pretendentes que lhe enchiam a corte.
- Ele é tão pequeno - observou o Senhor do Ninho da Águia,
aos risinhos.
- Este é Tyrion, o Duende, da Casa Lannister, que assassinou
o senhor seu pai - ela levantou a voz para que chegasse a todo
o comprimento do Alto Salão do Ninho da Águia, ressoando
nas paredes de um branco leitoso e nos estreitos pilares, para
que todos os homens pudessem ouvi-la. - Ele assassinou a
Mão do Rei!
- Ah, e também o matei? - disse Tyrion, como um bobo.
Esta teria sido uma ótima ocasião para manter a boca
fechada e a cabeça inclinada. Agora compreendia isto; pelos
sete infernos, agora o compreendia. O Alto Salão dos Arryn
era longo e austero, com uma frieza sinistra nas paredes de
mármore branco com veios azuis, mas os rostos que o
rodeavam eram de longe mais frios. O poder do Rochedo
Casterly estava distante, e não havia amigos dos Lannister no
Vale de Arryn. A submissão e o silêncio teriam sido suas
melhores defesas.
Mas o humor de Tyrion estava negro como a noite mais
escura. Para sua vergonha, fraquejara durante a última etapa
de seu dia de subida ao Ninho da Águia, e as pernas
atrofiadas se tinham mostrado incapazes de levá-lo mais alto.
Bronn o transportara o resto do caminho, e a humilhação
despejara óleo nas chamas da sua ira.
- Parece que fui um tipinho bastante atarefado - disse com um
sarcasmo amargo. -Pergunto a mim mesmo onde teria
arranjado tempo para tratar de todos esses assassinatos e
mortes.
Deveria ter se lembrado de com quem estava lidando. Lysa
Arryn e seu débil filho malsão não tinham ficado conhecidos
na corte pelo seu amor por frases espirituosas, especialmente
quando lhes eram dirigidas.
- Duende - Lysa disse friamente -, cuidado com essa língua
trocista e fale respeitosamente com meu filho, ou prometo que
se arrependerá. Lembre-se de onde está. Isto é o Ninho da
Águia e estes ao seu redor são os cavaleiros do Vale, homens
leais que queriam bem a Jon Arryn. Todos eles morreriam por
mim.
- Senhora Arryn, se algum mal me acontecer, meu irmão
Jaime ficará feliz por se assegurar de que morram - no preciso
momento em que cuspia as palavras, Tyrion soube que eram
uma loucura.
- É capaz de voar, senhor de Lannister? - perguntou a
Senhora Lysa. - Um anão tem asas? Se não, mais sensato
seria engolir a próxima ameaça que lhe vier à cabeça.
- Não fiz ameaça nenhuma - ele respondeu. - Isso foi uma
promessa.
Ao ouvir aquilo, o pequeno Lorde Robert pusera-se em pé de
um salto, tão perturbado que a boneca caíra ao chão.
- Não pode nos machucar - o menino gritou. - Ninguém pode
nos machucar aqui. Diga--lhe, mãe, diga-lhe que não pode nos
machucar aqui - o rapaz começara a estremecer.
- O Ninho da Águia é inexpugnável - declarou calmamente
Lysa Arryn. Puxou o filho para junto dela, rodeando-o com a
segurança de seus rechonchudos braços brancos. - O Duende
está tentando nos assustar, meu querido. Todos os Lannister
são mentirosos. Ninguém vai machucar meu lindo filho.
O inferno era que não havia dúvida de que a mulher tinha
razão. Depois de ver o que era preciso fazer para chegar até
ali, Tyrion podia imaginar como seria um cavaleiro tentando
abrir caminho até lá, lutando, revestido de armadura,
enquanto pedras e setas choviam sobre ele dos pontos altos e
inimigos o enfrentavam a cada passo. A palavra pesadelo nem
começava a descrever a situação. Não surpreendia que o
Ninho da Águia nunca tivesse sido tomado,
Mas, mesmo assim, Tyrion foi incapaz de se calar.
- Inexpugnável, não - bradou -, meramente inconveniente.
O jovem Robert apontou para baixo, com a mão tremendo.
- Você é um mentiroso. Mãe, quero vê-lo voar - dois guardas
vestidos com mantos azuis-celeste agarraram Tyrion pelos
braços, levantando-o do chão.
Só os deuses sabiam o que poderia ter acontecido se não fosse
Catelyn Stark.
- Irmã - ela chamou de seu lugar abaixo dos tronos. - Peço
que se lembre que este homem é meu prisioneiro. Não o quero
ferido.
Lysa Arryn olhou de relance e friamente para a irmã por um
momento, depois se ergueu e caminhou imponentemente na
direção de Tyrion, arrastando as longas saias atrás de si. Por
um instante, o anão temeu que ela lhe batesse, mas, em vez
disso, ordenou que o largassem. Os homens atiraram-no ao
chão, as pernas fugiram-lhe e Tyrion caiu.
Deve ter apresentado um belo espetáculo quando lutou para
se pôr de pé e a perna direita entrou em espasmos, atirando-o
de novo ao chão. Gargalhadas rebentaram em todo o Alto
Salão dos Arryn.
- O hospedezinho de minha irmã está demasiado cansado para
se manter em pé - anunciou a Senhora Lysa. - Sor Vardis,
leve-o para a masmorra. Um descanso em uma de nossas celas
abertas lhe fará muito bem.
Os guardas o puxaram com brusquidão. Tyrion Lannister
ficou pendurado entre eles, lançando fracos pontapés, com o
rosto vermelho de vergonha.
- Eu me lembrarei disto - disse a todos quando o levaram.
E lembrava-se, por mais inútil que isso fosse,